Abril 14 2010

 

 

 

 

 

 

 

A partir dos meados do século XIX, um lento processo de industrialização vai provocando a concentração em Lisboa da mão de obra operária. A população da cidade aumenta, mas também se modifica a respectiva composição social, uma classe operária começa a emergir.

 As famílias operárias vêm-se obrigadas a procurar alojamento em espaços desocupados ou velhos pardieiros arruinados, onde improvisam eles próprios precárias habitações, mediante o pagamento de uma renda ao proprietário. É assim que surgem os pátios.

Com o incremento da indústria, acompanhado pelo das obras públicas e da própria construção civil, as necessidades crescentes de mão de obra intensificam o processo de urbanização  e o afluxo de populações à capital. Com este desenvolvimento, provocado pelo aumento de uma procura cada vez mais intensa, aparece uma nova forma de promoção imobiliária, com a construção de conjuntos habitacionais precários e de alta densidade, dando origem, nos finais de oitocentos, às vilas operárias.

De uma configuração muito diversificada, adaptada às dimensões do lote, ao relevo e à relação com o espaço público, as vilas alastram nos primeiros anos do século XX, localizando-se nas franjas periféricas da cidade, em terrenos de pouca valia, muitas vezes insalubres.  – LNEC

 

Em serviço deparei-me com um dos últimos exemplos do acima descrito, com a minha curiosidade sobre a história da cidade tirei algumas fotografias. A estas juntei as que retirei do arquivo municipal tiradas na década de 60 por Artur Goulart, curiosamente os ângulos coincidiram.

Passados  50 anos as diferenças neste espaço não são muitas, mas a falta da presença humana é gritante, contudo pelas fotos antigas conseguimos imaginar o que seria viver nestes locais.

publicado por blackcrowes às 16:01
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Caro amigo. Gostei muito deste seu post não só por razões sociológicas e históricas, mas, sobretudo, por razões de natureza afectiva e sentimental. Há 50 anos atrás eu era um menino de 9 anos que brincava neste pátio e na rua Maria Pia que passa por ele. Sou licenciado em História que leccionei até ao ano passado, altura em que decidi deixar o ensino para me dedicar inteiramente à escrita. Estou a escrever o meu primeiro romance histórico que passa pelo final da guerra colonial, e que aborda também o fenómeno da emigração galega em Lisboa. Foi no processo de recolha de informação que encontrei este seu blog, e constatei o seu interesse por estas matérias e pela fotografia. Também faço fotografia (www.olhares.com/jhep) e quero que o meu livro tenha uma grande ilustração fotográfica. Talvez possamos trocar informações . Seria interessante até porque vejo que andou a fazer pesquisa, e eu procuro ter acesso ao maior número de fontes possível. Fica o convite. Um abraço



josé a 15 de Abril de 2010 às 02:44

Caro amigo. Sou apenas um apaixonado por história e fotografia, contudo fico feliz se com a minha ajuda ou com algum conhecimento poder ser útil.

As fotografias antigas da Villa Ramos retirei-as do arquivo municipal online da CML, o link é http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/sala/online/ui/SearchBasic.aspx?filter=AF

Recentemente também criei uma página no olhares é http://olhares.aeiou.pt/cfirmino

Em tempos noutro blog, que tenho parado actualmente, entre muitos outros temas, também escrevi sobre a importância dos galegos em Lisboa, com companhia de fotos antigas tiradas do mesmo arquivo, o link é http://blackcrowes.blogs.sapo.pt/7266.html

Um abraço. Carlos Firmino. (http://olharescruzados.blogs.sapo.pt/)
blackcrowes a 15 de Abril de 2010 às 11:53

"O fim de uma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite. É preciso recomeçar a viagem. Sempre." - Saramago
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