Março 29 2011

 

 

 

 

 

 

 

Talvez tenha sido pelo facto de estar nevoeiro e ter chovido recentemente, mas seguramente por estar acompanhado por uma criança, o que é um facto é que a Matinha de Queluz me pareceu um bosque encantado. A qualquer momento imaginei que sairiam fadas e duendes das pedras e árvores. Ao fim de tantos anos a passar no IC 19, ao lado desta floresta decidi-me a ir conhece-la, valeu a pena…

 

A Matinha de Queluz, com 21 hectares, está localizada numa zona sujeita a influências atlântica e mediterrânea, facto que condicionou a sua vegetação, maioritariamente de carvalhos, azinheiras e sobreiros. Existem ainda, pensa-se que plantadas posteriormente, alfarrobeiras, olaias e freixos.

Esta zona tornou-se propriedade da Casa Real após 1640, fazia parte dos jardins do Palácio de Queluz, nela entre outras actividades, realizavam-se espectáculos de teatro ao ar livre ou de tauromaquia.

publicado por blackcrowes às 15:08
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Março 22 2011

 

 

 

 

Por diversas vezes passei no terreiro junto ao Palácio da Ajuda e perguntei-me o que faria uma torre de relógio tão alta e isolada naquele local, a sua grande visibilidade torna-a um corpo estranho que chama a atenção.

Assim, decidi investigar a história deste monumento, descobri que no seguimento do terramoto de 1755 se construiu uma nova Patriarcal, da qual esta torre fez parte, contudo em 1794 um enorme incêndio deflagrou e destruiu completamente a Real Barraca (nome porque era conhecido o palácio real devido a estar em obras e rodeado de estaleiros), para alem do espolio valiosíssimo perdeu-se o imóvel apenas resistindo a Torre da Paroquial ou do Galo.

publicado por blackcrowes às 11:35
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Março 15 2011

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dizia Filipe I “Nos meus reinos possuo o convento mais rico e o mais pobre da terra, o Escurial (Espanha) e os Capuchos”, mesmo há distância de cinco séculos julgo poder modestamente e na minha opinião, pôr em causa este pensamento do monarca. Os Capuchos são das maiores riquezas que alguém pode encontrar no mundo, pelo menos nos pensamentos através da interiorização de valores que nos causa.

Para tornar mais fácil entender ao que me refiro, ficam as próximas palavras, retiradas do primeiro guia de Portugal de 1924 (edições Gulbenkian).

 

Convento dos Capuchos, fundado em 1560 por D. Álvaro de Castro, por disposição testamentária de seu pai, o vice-rei D. João de Castro, que ambicionava, como lhe dizia numa carta o infante D. Luis, “encher estes picos da serra de Sintra de ermidas e de suas vitorias”., o convento dos Capuchos (também chamado de Santa Cruz ou da Cortiça) é uma coisa ao mesmo tempo cheia de humildade e de grandeza – desterro para poetas e construído por poetas. Fica ao cabo do mundo, suspenso entre a abobada do céu e a planície ilimitada. Descobre-se ali tudo quanto há de grande – o céu, a terra, o mar, sem deixar de ser recolhido e íntimo.

Duas grandes fragas encostadas uma à outra formam-lhe a entrada. Toca-se a sineta, abre-se a cancela rústica e dá-se de cara com a cruz. Alguns degraus de pedra e entra-se no terreiro encantado. À direita há um banco, à esquerda uma fonte que escorre sobre uma taça entre dois resguardos de pedra com restos de azulejos e dois bancos cobertos de musgo. Silêncio, arvores desgrenhadas, ao fundo um telheiro que é o adrozinho do convento. Isto a bem de dizer é muito pouco, mas não há dinheiro no mundo que seja capaz de nos dar esta solidão tão recolhida onde estremecem fios de sol, este fio de água que sai de um velho tronco duas vezes centenário, onde estão aninhados o nicho e a fonte. Lá para cima fica a ramaria, o monte, os grandes rochedos decorativos. Suba-se ao adro revestido de cortiça. Uma senhora dorme encantada entre conchas e azulejos que revestem ingenuamente a moldura de pedra e a pouco e pouco vão caindo. Duas portas laterais, uma para a capelinha do Senhor dos Passos e outra para a Igreja, forrada de azulejos e com um frontal de mosaico, e cuja abobada é um grande rochedo. Duas rochas formam arcos, aproveitaram-nas para ai abrir a sacristia. Todo o convento foi aberto no monte, casado com o monte e está unido ao monte. Os degraus são escavados na pedra, os tectos revestidos de cortiça.

Sobe-se no coração da rocha para o corredor onde estão as celas minúsculas como túmulos, as portas são buracos, por onde se entra de gatas. Lá dentro uma janelinha de palmo. Sufoca-se. Aqui está o refeitório, onde uma grande lasca de pedra rugosa serve de mesa, a cozinha o quarto do prior um pouco mais amplo. Outras escadinhas, e vai-se dar ao quarto dos doentes, à casa do capítulo com um banco de cortiça em roda, tudo tão frio, tão fora do mundo que habitamos que se sai com alegria para o segundo terreiro, onde os cedros, os sobreiros, os buxos enormes rodeiam outra taça de água.

 À esquerda grandes blocos de pedra sobem pelo monte acima, entre a vegetação rústica, à direita a nota utilitária duma pequena horta cultivada e o esplêndido panorama da planície e do mar. è de aqui que melhor se apanha o aglomerado de casinhas que formam o convento, tão bem fundido com as arvores e o monte que parecem naturalmente ter ali nascido e crescido, tudo coberto de velho musgo, tudo penetrado de silêncio, tudo num abandono um pouco triste, mas cheio de harmonia e de mistério.

Velhos castanheiros derrubados sobre o caminho teimam em viver, outros erguem a copa para o céu. A vereda serpenteia e lava-nos a buracos cheios de sombra, ou a pontos onde se descobre horizontes ilimitados. Uma escadaria cravada na rocha conduz-nos ao alto do monte, donde se avistam as lombadas da serra eriçada de rochedos, a várzea, a planície e o mar escumante. No cimo do mais alto rochedo, dominando, uma cruz solitária.

No primeiro guia de Portugal de 1924 - volume "Lisboa e arredores"

publicado por blackcrowes às 13:54
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Março 09 2011

 

O abastecimento de água teve sempre um papel importantíssimo na Historia da cidade de Lisboa. Ao longo dos séculos com o crescimento da população a falta de recursos foi-se tornando um problema a vencer.

Para resolver isto e assegurar esta necessidade vital, foram feitas obras de envergadura esmagadora. Prova disso é o impressionante Aqueduto das Águas Livres sobre o vale de Alcântara e o Arco Triunfal das Amoreiras junto à Mãe de Água, sem esquecer os numerosos chafarizes espalhados na zona mais antiga da urbe. Estes monumentos para além da sua função, simbolizavam e celebravam ainda para o futuro, a memória da vitória do homem sobre a natureza e os elementos.

Hoje são uma marca da cidade que devemos valorizar, aqui ficam alguns exemplos.

 

O meu anterior post “Chafariz D´El Rei”, que também se enquadra neste assunto pode ser visto aqui - http://olharescruzados.blogs.sapo.pt/20419.html

 

Aqueduto das Águas Livres

Chafariz do Largo do Mastro

 Chafariz do Largo do Rato

 

Arco Triunfal das Amoreiras

 Aqueduto junto ao Arco Triunfal das Amoreiras

Aqueduto junto ao Arco Triunfal das Amoreiras, ao fundo a Mãe de Água

publicado por blackcrowes às 14:13
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"O fim de uma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite. É preciso recomeçar a viagem. Sempre." - Saramago
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