Outubro 25 2013

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

       Pelo menos há cerca de 6 anos que tinha a ambição de fazer a famosa “Marcha dos Fortes”, emblemática caminhada que nos leva através de vários municípios ao longo de parte das famosas Linhas de Torres Vedras.

 

       Desta vez, literalmente, pus os pés a caminho e percorri os 43 Km do percurso deste ano, com partida na Quinta de Vale do Corvo, no sopé da Serra do Socorro, às 7h da manhã, e depois da passagem durante o dia pelos fortes da Enxara, do Alqueidão, da Carvalha, do Calhandriz e do Arpim com paisagens e horizontes abertos e fantásticos, chegámos a Bucelas pelas 20h, com a satisfação de termos conseguido superar esta prova.

 

       Relativamente à organização uma palavra de reconhecimento por uma máquina bem oleada, tanto em termos de preparação do percurso, de abastecimentos, e de todo o acompanhamento. Infelizmente apenas ficou a faltar algum enquadramento histórico, mesmo que simples, dos diversos sítios por onde íamos passando, alguns estreantes desconheceram que estiveram a almoçar mesmo junto ao forte do Alqueidão e que bem valia perder (ou ganhar) 15 minutos do almoço para lá ir.

 

       As Linhas de Torres foram o conjunto de fortificações que isolaram a península de Lisboa, com sucesso, e impediram a ocupação da capital pelo exército francês de Massena aquando da 3ª invasão na Guerra Peninsular, vejam - http://pt.wikipedia.org/wiki/Linhas_de_Torres_Vedras

publicado por blackcrowes às 17:01

Outubro 07 2013

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os mais belos passeios de Armação são até Albufeira e Carvoeiro, pelo mar. Este último permite apreciar um dos mais pitorescos e arrogantes trechos da costa algarvia, formado de belas rochas escarpadas, escavado de boqueirões e todo retalhado de furnas e cavernas. Há-as pequenas como búzios onde mal cabe um homem, e outras grandes e profundas, onde os pescadores se abrigam das nortadas, caçando os pombos bravos que frequentam aquelas paragens solitárias. Numas o barco entra por um arco em ogiva, circula por meandros complicados e sai novamente à luz do sol por outro pórtico de rocha, para entrar num novo labirinto de meandros e cavernas.  Noutras, fica-se completamente encerrado pelas paredes do antro, com uma abóboda esférica em cima e por baixo uma água dormente e silenciosa. E tudo isso tem nome, pois não há rocha, algar, furna ou tira de areia que não tenha sido baptizada por este povo imaginoso. Nenhum pescador ignora, por exemplo onde são os leixões do Maltês e do Ladrão, as furnas dos Pentes, do Barco, do Inácio Alves, dos Fradinhos, da Zorreira e do Farol, os algares Raivoso, das Canas, e das Bruxas, as praias da Fontinha e do Barranquinho, da Malhada, do Baraço, dos Arquinhos, da Corredoura, de Benagil, da Chaparreira, do Vale de Cove, o rochedo da Boneca…

Um dos sítios mais estranhos é o das praias da Marinha e dos Arquinhos, anfiteatro de agudos fraguedos destacados da margem e arcos talhados na penedia, que lembram ruinas de templos e palácios. Mas acima de tudo deve destacar-se a Furna do Pontal, uma das mais belas da nossa costa, já perto da Srª da Rocha, à vista da qual se passa antes de vermos erguer na nossa frente o morro do Carvoeiro. Um recinto ladeado de belas rochas carcomidas (lapiás) todas decompostas, crivadas e esponjosas, forma solene e arrendado átrio à formosa gruta. Esta perfeitamente circular, parece construída pela fantasia dum poeta para uma assembleia de ninfas ou o banho de uma náiade melindrosa. A voz do mar soa aqui como um doce murmúrio chapinhante.

- No Guia de Portugal de 1924 reedição Fundação Calouste Gulbenkian

publicado por blackcrowes às 17:04

"O fim de uma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite. É preciso recomeçar a viagem. Sempre." - Saramago
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