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Localizada no extremo norte do concelho de Lisboa, Carnide é uma das maiores freguesias da cidade, em extensão e em população. Apesar de ser uma das mais antigas, só foi integrada no perímetro urbano em 1885.

Tradicionalmente rural, foi envolvida, nos últimos anos, no próprio processo de crescimento urbano da capital, de uma forma acelerada e nem sempre uniforme e correctamente programada. É, por isso, uma freguesia de contrastes – entre o velho e o novo, o antigo e o moderno, o urbano e o rural. É também um território marcado por diversidades e singularidades, com pequenas «ilhas» dispersas e desarticuladas funcional e urbanisticamente.

Marcada por sucessivas sedimentações históricas e culturais, a freguesia de Carnide tem um perfil próprio identificado no seu património e nas vivências sociais que interessa preservar e valorizar, na medida em que eles podem estruturar e referenciar a própria dimensão da imagem urbana e da vida contemporânea.

 

O povoamento de toda a vasta zona a norte do termo de Lisboa até Odivelas data de épocas recuadas, anteriores à romanização. Para além de vestígios de uma ocupação dispersa durante o neolítico, formaram-se alguns povoados de pequena dimensão, e que rapidamente foram absorvidos pela cultura e economia romanas.

 

Foi a partir do séc. I que se organizou sistematicamente o território, com explorações agrícolas sob a forma de vilas rústicas. Algumas eram grandes propriedades com casa senhorial e todo um conjunto de equipamento agrícolas necessários, desde os estábulos aos lagares.

 

Durante o domínio muçulmano, entre os séculos VIII e XII, intensificou-se a ocupação com a consolidação de pequenos casais e o desenvolvimento das hortas e pomares. A região era considerada o celeiro de Lisboa e daqui seguiam os produtos agrícolas que regularmente abasteciam a cidade. À data da conquista de Lisboa, era já significativo o número de moradores locais aos quais se juntaram muitos mouros que foram expulsos da cidade ou a abandonaram por vontade própria. Cristãos e muçulmanos acabaram por se fundir em pouco tempo, eliminando diferenças religiosas e culturais.

No século XIII procedeu-se à organização religiosa e administrativa, com a formação de uma vasta paróquia rural, por volta de 1279. Foi também nesta época que se fixou, definitivamente, a identificação toponímica. O nome de Carnide é, certamente, mais antigo (celta, latino, ou muçulmano), mas passou a generalizar-se apenas durante a idade média, ligado à unidade paroquial. Num documento de partilhas datado de 1308, e em muitas doações medievais, a figura a expressão «sítio de Carnide» e o topónimo «Carnedi» ou «Carnyde» aplicados à área da paróquia que englobava também a Pontinha e o Casal Falcão e se estendia até aos limites de Odivelas. O século XIV corresponde ao período de consolidação e expansão dos velhos aglomerados populacionais e à construção da Igreja de São Lourenço, a partir de 1342, em local ermo, aproximadamente no centro geográfico de um vasto território, de modo a permitir a afluência dos paroquianos. Ao mesmo tempo, os caminhos rurais e vicinais, já definidos desde a Alta Idade Média, consolidaram-se. Pode dizer-se que a localização da igreja paroquial, que depois de outras invocações acabou por se estabelecer com a Igreja de São Lourenço, se localizou em função desta primitiva estrutura viária e da facilidade de acessos directos. A estrada da Pontinha era o principal eixo, a par da estrada da Correia que se veio a consolidar posteriormente. Foi no adro da igreja que se realizou durante muitos anos a feira. Para além dos pequenos proprietários e rendeiros locais, eram donatários de muitas propriedades de Carnide os reis e a Ordem de Cister.

Documentos dos séculos XIII e XIV referem a existência de uma Ermida do Espírito Santo que tinha anexa uma pequena gafaria. O culto do espírito santo, difundido durante o século XIII, perdurou na região, até ser completamente absorvido pelo novo culto da Senhora da Luz, no século XVI, depois da reorganização da Igreja no âmbito do Concílio de Trento. É, pois, remota a origem de fenómenos de romarias e peregrinações que atraíam ao local população dispersa pela paróquia e muitos forasteiros vindos de longe. Os marítimos (pescadores e navegadores) eram devotos do Espírito Santo e, em 1437, deram início à procissão anual do Sírio do Cabo à pequena ermida local.

Datam do século XIII as notícias referentes a uma fonte, cujas águas tinham propriedades curativas. Era conhecida por Fonte Machada ou Machado, designação de origem antroponímica relacionada com os proprietários. A fonte localizava-se junto da principal estrada de atravessamento e, tal como a ermida, era um local de referência obrigatória. A própria gafaria estava relacionada com a fonte de mergulho e muitas das curas e tratamentos eram feitos com as próprias águas, consideradas benéficas para certas doenças da vista.

Para além dos tradicionais casais dispersos, o primeiro povoamento sistemático fez-se ao longo da estrada da Pontinha, entre a Fonte do Machado e a Igreja de São Lourenço. Havia também quintas reais e nobres, para onde se deslocavam os proprietários quando as grandes epidemias e fomes atingiam a capital. Os bons, fortes e saudáveis ares eram famosos e muitos fidalgos vieram para Carnide, a fim de recuperar das campanhas militares de conquista do Norte de África no reinado de D. Afonso V. O próprio rei, que em 1442 fez doações de terras no sitio de Carnide, aqui terá residido temporariamente, assim como D João II que enviou uma carta ao barão de Alvito datada de 24 de Março de 1462 e assinada em Carnide.

Em 1463, deu-se o início ao culto da nossa senhora da Luz e, no ano seguinte, começou a realizar-se a romaria no final do verão, em Setembro, no termo das colheitas agrícolas.

A ermida ficou a pertencer ao mosteiro cisterciense de Ceiça, até que, em 1467, passou a depender directamente da paróquia de São Lourenço, com todas as suas rendas. A irmandade que se constituiu para organizar a romaria anual e cuidar da ermida angariou muitas doações de terras, rendas e géneros. Alguns reis e nobres foram membros da irmandade, contribuindo para o seu enriquecimento e prestígio.

No século XVI, fizeram-se obras de melhoramento da ermida e da fonte. Datam da época os elementos manuelinos que se encontram ainda hoje encravados no corpo sul da Igreja Luz.

Retirado do site da J.F. Carnide

 

 

 

 

publicado por blackcrowes às 16:39
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