Dezembro 13 2010

 

 

 

 

 

 

 

 

Vamos percorrer agora um dos trechos mais pitorescos e estupendamente belos de toda a costa portuguesa. São fragas enormes abrindo fauces negras e profundas, horripilantes que dão vertigens e onde as águas rugem coléricas, lascas planificadas e pardacentas escorregando sobre o mar, gestos, frémitos vivos e petrificados que tomaram jeito de monstros ou de icebergs formidáveis, fortalezas assaltadas pelas ondas, paisagens de ilha deserta onde os corvos grasnam e o mistério habita. De quando em quando no fundo das escarpas abre-se uma praiazinha que os grandes morros separam do mundo, e onde a solidão é trágica e fatal. Dir-se-ia, uma vez metidos naqueles antros, que só existem aquelas rochas carcomidas, aqueles abismos e aquele mar infindo – e que tudo mais é sonho ou não existe.

No primeiro guia de Portugal de 1924 - volume "Lisboa e arredores"

publicado por blackcrowes às 13:59
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"O fim de uma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite. É preciso recomeçar a viagem. Sempre." - Saramago
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