Maio 31 2013

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tínhamos planeado fazer o nosso caminho entre Valença e Santiago de Compostela em cinco dias, mas a meio mudámos de opinião e decidimos que era possível faze-lo em quatro. Esta escolha permitia-nos estar uma noite e um dia em Compostela, e assim visitar a catedral, ir à missa do peregrino, e explorar os monumentos e as ruas da cidade para além de comprar os “recuerdos” sem pressa, pelo que guardámos para este dia os 45 quilómetros finais.

 

Saímos de caldas del Rey às 6h30m, ainda de noite, avançámos por uma das zonas mais bonitas em termos de natureza do nosso caminho, através de um trilho florestal que sobe todo um vale, pequenos cursos de água descem as encostas, passam aos nossos pés, obrigando-nos a malabarismos para não molharmos as botas e desaparecem lá ao fundo no meio do arvoredo onde corre um rio. Mas o mais fantástico é ouvir a natureza a acordar, num chilreado de pássaros que faz mais uma vez sentir que também foi por momentos destes que decidimos fazer o caminho.

 

Entramos no concelho de Valga entre aldeias, vinhas, campos agrícolas, espigueiros e igrejas.

 

A seguir ao albergue de Valga, com a sua curiosa estátua de um peregrino a olhar para os pés magoados, mais uma zona de floresta e montanha até chegarmos a Pontecesures e deixarmos a província de Pontevedra para entrar na Corunha.

 

Entramos em Padron (a pensar nos famosos pimentos) atravessando o Paseo del espolon, paralelo ao rio, onde as estátuas de camilo José Cela e Rosália de Castro, figuras maiores da literatura galega, nos dão as boas vindas. Entramos na Igreja de santiago para carimbar mais uma vez a nossa credencial.

 

Padron, o lugar onde a embarcação que trazia o corpo de Santiago para a Galiza esteve amarrada, é um bom lugar para comer algo e ganhar forças para o que falta. E o que falta é bastante esgotante… se até ao albergue de Teo o caminho continua em plano, atravessando diversas aldeias. A partir daí as subidas até Compostela são esgotantes, os quilómetros estão bem marcados e para quem já fez tantos saber que falta menos de uma dezena é uma alegria, mas parece que custam a passar, só o desejo de chegar à catedral fazia milagre trazendo forças e resistência.

 

No fim, a emoção de entrar na Praça do Obradoiro e concluir um projeto tão importante explode dentro de todos os peregrinos, de todos os caminhos e proveniências, que aqui chegam… seja quais forem os motivos que aqui os trouxeram e apesar de todo o esforço e dores conseguiram fazer o CAMINHO…

publicado por blackcrowes às 11:04

"O fim de uma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite. É preciso recomeçar a viagem. Sempre." - Saramago
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