Junho 06 2013

 

 

 

 

 

 

publicado por blackcrowes às 17:25

Maio 31 2013

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tínhamos planeado fazer o nosso caminho entre Valença e Santiago de Compostela em cinco dias, mas a meio mudámos de opinião e decidimos que era possível faze-lo em quatro. Esta escolha permitia-nos estar uma noite e um dia em Compostela, e assim visitar a catedral, ir à missa do peregrino, e explorar os monumentos e as ruas da cidade para além de comprar os “recuerdos” sem pressa, pelo que guardámos para este dia os 45 quilómetros finais.

 

Saímos de caldas del Rey às 6h30m, ainda de noite, avançámos por uma das zonas mais bonitas em termos de natureza do nosso caminho, através de um trilho florestal que sobe todo um vale, pequenos cursos de água descem as encostas, passam aos nossos pés, obrigando-nos a malabarismos para não molharmos as botas e desaparecem lá ao fundo no meio do arvoredo onde corre um rio. Mas o mais fantástico é ouvir a natureza a acordar, num chilreado de pássaros que faz mais uma vez sentir que também foi por momentos destes que decidimos fazer o caminho.

 

Entramos no concelho de Valga entre aldeias, vinhas, campos agrícolas, espigueiros e igrejas.

 

A seguir ao albergue de Valga, com a sua curiosa estátua de um peregrino a olhar para os pés magoados, mais uma zona de floresta e montanha até chegarmos a Pontecesures e deixarmos a província de Pontevedra para entrar na Corunha.

 

Entramos em Padron (a pensar nos famosos pimentos) atravessando o Paseo del espolon, paralelo ao rio, onde as estátuas de camilo José Cela e Rosália de Castro, figuras maiores da literatura galega, nos dão as boas vindas. Entramos na Igreja de santiago para carimbar mais uma vez a nossa credencial.

 

Padron, o lugar onde a embarcação que trazia o corpo de Santiago para a Galiza esteve amarrada, é um bom lugar para comer algo e ganhar forças para o que falta. E o que falta é bastante esgotante… se até ao albergue de Teo o caminho continua em plano, atravessando diversas aldeias. A partir daí as subidas até Compostela são esgotantes, os quilómetros estão bem marcados e para quem já fez tantos saber que falta menos de uma dezena é uma alegria, mas parece que custam a passar, só o desejo de chegar à catedral fazia milagre trazendo forças e resistência.

 

No fim, a emoção de entrar na Praça do Obradoiro e concluir um projeto tão importante explode dentro de todos os peregrinos, de todos os caminhos e proveniências, que aqui chegam… seja quais forem os motivos que aqui os trouxeram e apesar de todo o esforço e dores conseguiram fazer o CAMINHO…

publicado por blackcrowes às 11:04

Maio 23 2013

 

 

 

 

 

 

 

 

Nesta terceira etapa do nosso caminho e em sequência da nossa decisão de alternar etapas mais longas com outras mais curtas, decidimos fazer os 24 quilómetros entra Pontevedra e Caldas del Rey.

 

Saindo cedo, atravessámos o centro histórico de Pontevedra (ver o “post” anterior) e a ria através da Ponte do Burgo.

 

Entrámos em zona rural, acompanhando lateralmente uma zona pantanosa, local de observação de aves, diversas aldeias, a igreja de Stª Maria de Alba e um dos troços mais bonitos do caminho, entre florestas magníficas, sombrias e cerradas, que me recordaram Sintra ou o Gerês. Com água sempre a acompanhar-nos e por vezes a obrigar-nos ao esforço de não molharmos os pés. Inesquecível e marcante.

 

Nesta zona a concentração de peregrinos de diversas nacionalidades era grande, incluindo muitos ciclistas. Um dos locais de descanso e onde retemperámos forças com uma bebida fresca foi em San Mamede, hipótese de pôr mais um carimbo na nossa credencial de peregrino.

 

Finalmente atravessando as vinhas de Briallos entrámos em Caldas del Rey, onde procurámos o albergue junto à bonita ponte medieval.

 

Caldas del Rey recompensou-nos com a fantástica possibilidade de descansar os pés dentro de água a 38 graus, numa das suas fontes termais. Para quem tinha os dedos e as unhas dos pés a latejar pareceu um milagre.

 

Passear pelo centro histórico, visitar o jardim magnífico com espécies de todo o mundo, e o facto de nos podermos sentar numa esplanada à beira da imponente ponte sobre o rio Umia, marcam de forma indelével esta localidade galega.

publicado por blackcrowes às 10:13

Maio 14 2013

 

 

 

 

 

 

 

Faço aqui uma pausa no meu “caminho” para mostrar algumas fotografias de Pontevedra.

 

Ladeada pela Ria de Pontevedra, e com um centro histórico magnifico e muito bem cuidado, foi sempre uma etapa marcante de passagem dos peregrinos portugueses a caminho de Compostela.

 

Entre as fotografias que aqui coloco está a Igreja da Virgem Peregrina com uma planta inspirada numa concha de vieira, o românico Convento de São Francisco situado na Praça da Herreria, e uma das pontes que dão imagem a esta cidade, neste caso a Ponte do Burgo.

 

No próximo “post” continuarei através da nossa terceira etapa que nos irá levar a Caldas de Rey…

 


Maio 07 2013

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Saindo do Porriño pelas 6h30m, propusemo-nos a fazer uma etapa mais comprida, cerca de 40 Km até Pontevedra, como prometia mais um dia de calor nada como aproveitar a temperatura amena da manhã para subirmos até Mos.

 

O centro de Mos bem cuidado e pequeno é muito bonito, com a igreja barroca de Santa Eulalia, o paço dos senhores de Mos (iluminado pelo nascer do sol) e um café em frente ao albergue para ganhar alento para o resto de subida que ainda faltava fazer.

 

Continuando sozinho por um bocado de caminho e sempre a subir, aconteceu-me um episódio curioso. Uma pequena galinha que descia a encosta correu na minha direção e deitou-se no restolho da beira da estrada ao meu lado, imóvel, nem com a minha insistência se mexeu, somente quando reiniciei a subida e bati com a vara no alcatrão, ouvi um bater de asas e vi um corvo levantar voo. Era esse o motivo que tinha levado a galinha a ter procurado uma presença humana que a protege-se, pelo que depois disto seguimos, eu e ela, à nossa vida.

 

Depois do marco miliário romano que nos recebe à entrada do Concelho de Redondela, que indica as distâncias na via XIX, que unia Braga a Astorga, descemos entre o arvoredo e com uma vista fantástica até aos caminhos verdejantes que nos levam a Redondela.

 

Esta bonita cidade encaixada num vale, é marcada pelas duas pontes metálica de comboio do século XIX, que a sobrevoam, centro histórico bonito, com um grande jardim onde comemos alguma coisa ligeira para o resto da nossa jornada.

 

Abandonámos Redondela entre campos agrícolas e subimos até a um fresco parque com uma fonte, pouco depois a magnifica vista panorâmica da Ria de Vigo surge perante os nossos olhos.

 

Segue-se Arcade e finalmente a lindíssima Ponte Sampaio, onde atravessámos a colossal ponte de pedra que nos permitiu ultrapassar o rio Verdugo, local de resistência popular às tropas napoleónicas nas invasões francesas.

 

O caminho abandona esta povoação através da Brea Vella de Canicouva, um evocador trilho florestal de grandes lousas, itinerário da nossa sempre presente via romana XIX, a natureza é magnífica, seculares árvores acompanham a nossa subida, o verde é inebriante e o cantar dos pássaros inesquecível. Um dos troços mais marcantes do nosso caminho.

 

Agora depois de tanto subir chegou a hora de descer, passando por fontes onde é imperioso refrescarmo-nos, até à capela de Santa Marta (1617).

 

Nos quilómetros finais da nossa etapa aproximamo-nos de Pontevedra, aqui como não podia deixar de ser quando nos aproximamos de grandes centros urbanos, são grandes as retas e sem nenhum atrativo a não ser a possibilidade de chegar rapidamente a um albergue para tirar as botas, tomar banho, e retemperar forças…

publicado por blackcrowes às 15:43

Maio 02 2013

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Começando o nosso “ Caminho Português” abandonámos Valença e entrámos em Espanha pela Ponte Internacional sobre o Rio Minho, inaugurada em Março de 1886 e influenciada pelos desenhos de Gustave Eiffel. A passarela lateral é um excelente miradouro das cidades de Tui e de Valença, no fim do tabuleiro uma marca no solo lembrou-nos que estávamos a fazer a via romana XIX, que acompanha o caminho até Santiago.

 

Passámos por caminhos entre vivendas e vemos à direita lá no alto a catedral de Tui, até onde subimos entre velhas ruelas medievais, a catedral de Stª Maria de 1225 tem aspecto acastelado e é uma mistura de românico e gótico, com um magnífico portal, recheado de figuras e representações de cenas bíblicas. Seguimos em frente passando perto de diversas igrejas e casas centenárias até sairmos da cidade.

 

Entrámos na natureza acompanhando uma levada de água passeámos entre campos trabalhados até chegarmos à Ponte da Veiga sobre o Rio Louro. É de origem medieval e tem ao lado um curioso monumento moderno representativo do peregrino.

 

Depois de passarmos por zona de bosque e pela Capela da Virgem do Caminho, alguns quilómetros de asfalto até entrarmos de novo na natureza, no trilho de floresta mais bonito desta jornada, e chegámos à Ponte das Febres sobre a ribeira de San Simon. Possui este nome por ter sido aqui que faleceu San Telmo em 1251, de febres quando regressava a Tui vindo de peregrinar a Compostela.

 

Seguimos por um luxuriante cenário entre o marulhar da água e o chilrear dos pássaros, até Magdalena que atravessámos, seguindo por uma outra ponte de grandes lajes sobre o Rio Louro. Estas últimas zonas retemperaram-nos as forças e o espirito para o que se seguia, a pior zona de todo o caminho português, o polígono industrial do Porriño, uma recta de quase 4 quilómetros de fábricas e empresas com camiões em constante movimento. Depois de passarmos sobre a linha do comboio nova recta infindável até entrarmos finalmente dentro da cidade do Porriño, ai saliento o edifício do Ayutamento, do arquitecto desta terra, Antonio Palacios, bem como as ruas que rodeiam a praça onde ele se encontra.

 

Altura de nos dirigirmos ao albergue da terra, onde passámos a nossa primeira noite de viagem, a opção por pararmos ao fim de 18,5km deveu-se ao facto de termos começado a viagem de Lisboa para Valença muito cedo e de o próximo albergue (Mos) ter uma lotação pequena que não nos garantia com segurança camas para todo o nosso grupo. Com o risco de a ser assim termos de continuar viagem.

publicado por blackcrowes às 17:01

"O fim de uma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite. É preciso recomeçar a viagem. Sempre." - Saramago
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