Outubro 07 2013

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os mais belos passeios de Armação são até Albufeira e Carvoeiro, pelo mar. Este último permite apreciar um dos mais pitorescos e arrogantes trechos da costa algarvia, formado de belas rochas escarpadas, escavado de boqueirões e todo retalhado de furnas e cavernas. Há-as pequenas como búzios onde mal cabe um homem, e outras grandes e profundas, onde os pescadores se abrigam das nortadas, caçando os pombos bravos que frequentam aquelas paragens solitárias. Numas o barco entra por um arco em ogiva, circula por meandros complicados e sai novamente à luz do sol por outro pórtico de rocha, para entrar num novo labirinto de meandros e cavernas.  Noutras, fica-se completamente encerrado pelas paredes do antro, com uma abóboda esférica em cima e por baixo uma água dormente e silenciosa. E tudo isso tem nome, pois não há rocha, algar, furna ou tira de areia que não tenha sido baptizada por este povo imaginoso. Nenhum pescador ignora, por exemplo onde são os leixões do Maltês e do Ladrão, as furnas dos Pentes, do Barco, do Inácio Alves, dos Fradinhos, da Zorreira e do Farol, os algares Raivoso, das Canas, e das Bruxas, as praias da Fontinha e do Barranquinho, da Malhada, do Baraço, dos Arquinhos, da Corredoura, de Benagil, da Chaparreira, do Vale de Cove, o rochedo da Boneca…

Um dos sítios mais estranhos é o das praias da Marinha e dos Arquinhos, anfiteatro de agudos fraguedos destacados da margem e arcos talhados na penedia, que lembram ruinas de templos e palácios. Mas acima de tudo deve destacar-se a Furna do Pontal, uma das mais belas da nossa costa, já perto da Srª da Rocha, à vista da qual se passa antes de vermos erguer na nossa frente o morro do Carvoeiro. Um recinto ladeado de belas rochas carcomidas (lapiás) todas decompostas, crivadas e esponjosas, forma solene e arrendado átrio à formosa gruta. Esta perfeitamente circular, parece construída pela fantasia dum poeta para uma assembleia de ninfas ou o banho de uma náiade melindrosa. A voz do mar soa aqui como um doce murmúrio chapinhante.

- No Guia de Portugal de 1924 reedição Fundação Calouste Gulbenkian

publicado por blackcrowes às 17:04

"O fim de uma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite. É preciso recomeçar a viagem. Sempre." - Saramago
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