




Nas palavras de uma jornalista do Publico que descrevem bem as Tapeçarias de Pastrana:
“D. Afonso V não pôde levar consigo repórteres de imagem quando tomou Arzila e Tânger. Não houve reportagens em directo, relatos ao vivo por jornalistas a falar para as câmaras enquanto, ao fundo, as tropas cercavam as cidades do Norte de África e venciam batalhas. Estávamos no final do século XV e a forma mais aproximada que o rei português tinha de registar os seus feitos era mandá-los tecer em tapeçarias. Foi o que fez.”
Estas tapeçarias com cerca de 10X4 metros cada, foram encomendadas pelo nosso rei D. Afonso V, como maneira de glorificar e deixar marcados na história os seus feitos de armas. Foram produzidas nas oficinas flamengas de Tournai no fim do século XV, e cerca de 1530 desaparecem de Portugal vindo a aparecer em Espanha como bens dos duques do Infantado. Estes duques cedem-nas à Colegiada de Pastrana onde ficaram esquecidas até ao inicio do século XX, altura em que foram descobertas por dois historiadores de arte portugueses.
Nas três tapeçarias dedicadas à tomada de Arzila temos na primeira o desembarque das nossas tropas, na segunda o cerco da cidade, e finalmente na terceira o ataque ás muralhas. Em todas é visível o nosso rei e príncipe sempre em simetria, cercados pelos principais homens de armas do reino com magnificas armaduras e estandartes.
Na tapeçaria dedicada a Tanger pode-se ver as nossas tropas a entrar na cidade por um lado enquanto os mouros a abandonam com os seus pertences e família por outro.
Recentemente restauradas, visitá-las do Museu de Arte Antiga até 12 de Setembro é uma oportunidade única, pois mesmo imaginado que não levarão outros 500 anos a regressar a Portugal, não sabemos quando teremos hipótese novamente.